sexta-feira, 27 de agosto de 2010

Ler é saber!

25.07.2010

Bebê que convive com livros vai melhor na escola

Especialistas indicam contato com publicações desde os primeiros meses de vida; ONG vai lançar guia com indicação de 600 títulos

Ler para um bebê que ainda não fala nem entende o que é falado pode parecer perda de tempo, mas diversos estudos mostram que, a longo prazo, a prática pode beneficiar o desempenho escolar. Além de adquirir gosto pela leitura, as crianças que têm contato com livros desde o berço chegam ao ensino fundamental com vocabulário mais rico e maior capacidade de compreensão e de manter a atenção nos estudos.

Para ajudar na escolha do título mais adequado para cada idade e no desafio de manter as crianças pequenas entretidas, o Instituto Alfa e Beto (IAB) apresenta na próxima Bienal do Livro de São Paulo a Biblioteca do Bebê. Além de vários livros divididos por faixa etária, o local terá voluntários que ensinarão aos pais técnicas de leitura. As principais dicas estão reunidas em uma cartilha que será distribuída aos visitantes (mais informações nesta página).

"Não se trata de ler um conto de fadas para um bebê com menos de 1 ano. Os primeiros livros devem ter apenas imagens e o tempo para folheá-los deve ser breve", explica David Dickinson, especialista em alfabetização pela Universidade Harvard. Durante a bienal, ele apresentará estudos que relacionam a leitura precoce a um maior desenvolvimento da linguagem.


Uma dessas pesquisas mostra que as crianças de 3 anos que possuem o hábito de leitura em família apresentam, aos 10, desempenho escolar superior ao daquelas que não leem com frequência.


"O importante é ler com regularidade, de preferência todos os dias, e tornar a experiência agradável", afirma Dickinson.
Os pais, diz ele, devem usar as imagens do livros como base para iniciar uma conversa com a criança. "Faça perguntas sobre a figura ou sobre a história. Não se limite a ler as palavras e virar a página", explica.


Esculpindo mentes. A interação com os adultos é fundamental para o desenvolvimento da linguagem e o aprendizado se dá pela imitação, diz o presidente do IAB, João Batista Oliveira. "Mas a linguagem oral tem um vocabulário restrito e uma sintaxe simplificada. O livro, por mais simples que seja, obedece as regras da linguagem escrita, que é a mesma que a criança vai encontrar na escola."

Se o vocabulário é o tijolo do pensamento, afirma Oliveira, a sintaxe é a argamassa. "Quanto maior o vocabulário e mais articulada a sintaxe, mais temos sobre o que pensar." Essa maior capacidade de raciocínio e compreensão favorece tanto o desempenho em disciplinas como português e matemática como nas demais.


A capacidade de se manter focada em uma atividade também é beneficiada pelo hábito de leitura, afirma Dickinson. "Quando assistimos à TV ou usamos o computador, a tecnologia prende nossa atenção. Já quando lemos um livro, precisamos fazer esse trabalho sozinhos."

Beatriz Koike, de 3 anos, parece fazer esse trabalho muito bem. "As professoras sempre comentam como ela presta atenção em sala e elogiam sua desenvoltura com as palavras", conta a mãe, Taís Borges.

Beatriz ganhou seu primeiro livro quando ainda estava na barriga de Taís. "Aos 3 meses, comprei um livrinho de plástico para ela brincar na banheira. Depois, um de pano, com texturas diferentes. Aos 2 anos, ela começou a demonstrar interesse em histórias mais complexas." Hoje, a menina tem seu cantinho da leitura com 43 títulos. "Umas três ou quatro vezes por semana leio para ela à noite. Quando não faço, ela me cobra", conta Taís.


O IAB vai lançar na bienal um guia com uma proposta ambiciosa: Os 600 Livros que Toda Criança Deve Ler Antes de Entrar para a Escola. Isso dá uma média de dois livros por semana entre 0 e 6 anos. Quem quiser cumprir a meta não pode perder tempo.


Projeto associa obras infantis a brinquedos

Ler é Saber, do Instituto Brasil Leitor, já implantou 48 bibliotecas para a primeira infância

Outra iniciativa para estimular a leitura entre crianças de 0 a 6 anos é o projeto Ler é Saber, do Instituto Brasil Leitor (IBL), que já implantou 48 bibliotecas para a primeira infância em hospitais, clínicas médicas e odontológicas, creches e escolas públicas e particulares.


Os espaços são especialmente planejados para as crianças pequenas, com móveis coloridos e sem quina e prateleiras tão baixinhas que até um bebê é capaz de alcançar. “Cada livro possui um brinquedo correspondente, que se relaciona com o conteúdo das páginas”, explica Ivani Capelosa, idealizadora do projeto.

Fantoches, marionetes, bonecos, jogos e instrumentos musicais fazem parte do acervo da biblioteca e ajudam a tornar mais envolvente e dinâmica a narração de histórias. Entre uma diversão e outra, explica Ivani, os livros acabam se tornando tão atraentes quanto os próprios brinquedos.


Além de conceber o projeto das bibliotecas, o IBL treina professores e monitores para trabalharem com todo o material.


“É comum ver crianças ouvindo ou lendo uma história com um brinquedo embaixo do braço ou no colo”, relata Luzia Fagundes, professora da Unidade Modelo de Ensino Luiza Cortez da Silva, de Cubatão. “As crianças estão muito mais interessadas nos livros bem como em outros materiais escritos. Notamos maior desenvolvimento, principalmente no vocabulário”, conta a educadora.



http://www.alfaebeto.org.br/









Fonte: O Estado de São Paulo

Um ótimo final de semana à todos e vamos ler bastante com nossos pequenos!!! beijos Adriana.