terça-feira, 4 de outubro de 2011

Carta de uma Mãe: Meu filho tem TDAH, e agora?!?


Recebi essa carta de uma Mãe que quis compartilhar aqui seus sentimentos em relação ao seu filho que foi diagnosticado portador de TDAH
(Transtorno de Déficit de Atenção e Hiperatividade).

Um relato cheio de emoção e verdade de uma mãe que gostaria através desta carta ter as respostas que procura, encontrar outras mães que passam pelo mesmo “problema” e ainda ajudar aquelas que ainda não perceberam que o filho é portador de TDAH e com isso alertá-las sobre o fato de que essas crianças sofrem se não forem tratadas, acompanhadas por psicólogos, psiquiatras elas terão dificuldades de aprendizado, de socialização, problemas para dormir e excesso de agressividade.
Tudo isso pode ser amenizado e resolvido acima de tudo com muito Amor e Compreensão.


" Meu filho tem TDAH (déficit de atenção e hiperatividade)

Sou separada e tenho dois filhos uma menina de 15 anos e um garoto de 11 anos.

Passei por diversas dificuldades na vida, mas até hoje me orgulho de ter feito o possível para os meus filhos...

Tem uma idade que eles não reconhecem esse esforço, mais sei que com o tempo eles reconhecerão.

Nunca deixei de dar amor, mas nem sempre fui amorosa uma vez que me vendo sozinha nessa difícil missão de educar duas crianças, optei pela educação e deixei muitas vezes aquela parte boa de brincar e dar carinho de lado.

Por causa de uma gravidez precoce e um casamento mal sucedido, acabei não terminando a minha faculdade.
Agora construí uma experiência profissional muito boa, mais estou correndo atrás de certificação (faculdade).

Meu filho, agora está com 11 anos e a semana passada foi diagnosticado TDAH.
O que fazer?
Como não sentir culpa?

Como explicar para os outros?

Vou contar um pouco da história dele:


Gabriel “surgiu” na minha barriga,

Estava com problemas de sangramento irregular, fui ao médico, fiz exames, tomei remédios depois de algum tempo fui refazer o ultra-som e o medico disse:
“Esta tudo bem com o neném”.  

Não sabia da gravidez, não sabia o que fazer, não tive reação nenhuma e fui embora totalmente abalada.

Já não estava mais com o pai dele então fui procurar minha família...
Foi um choque para todos, mas eles ficaram do meu lado e fomos em frente.
Tive uma gravidez muito curta e horrível, tinham muitas contrações, ele não crescia eu tinha que fazer repouso mas não podia deixar de cuidar da minha outra filha.
Resumindo, assim que eu completei 8 meses de gestação fui ao medico e disse que não agüentava mais, marcamos o parto e nasceu o Gabriel, baixo peso, com saúde e “perfeito”.

Ele é um menino que sempre foi agitado, mas muito amoroso e obediente e sincero, mesmo fazendo coisas erradas sempre assumiu os seus erros.

Por ele ser agitado fui muito julgada por pessoas e deixei de ir a vários lugares porque não me sentia bem-vinda. Mas não achava nada demais, pensava “ele é menino”.

Passou muito bem o Maternal, Jardim I , quando chegou no Jardim II ele começou a ficar atrasado em algumas tarefas, como “amarrar o tênis sozinho” eu achava que era por causa da babá que o mimava demais.
Foi para o Pré (hoje em dia primeiro ano) já alfabetizado e lá começou a ser “bagunceiro”, pensei nessa época “é porque ele já sabe ler e escrever então não tem interesse na aula”.

Quando chegou o segundo ano (na época primeira série), onde a criança muda de ambiente e a sociedade começa a exigir mais coisas dela, foi um “boom” num determinado momento ele já dava tanto trabalho de indisciplina que ficava insustentável ele participar das aulas.
Fui procurar ajudam numa clínica, eles foram à escola, mais de imediato a situação piorou, o dia mais chocante para mim foi quando fui buscá-lo na escola e ele estava em baixo de uma mesinha e a sala toda revirada e ele correu e me abraçou, “ele estava igual um animal acuado” tinha alguma coisa errada...
Mas, nem eu, nem o grupo de psicólogos nem a escola foram pelo caminho de TDAH (nessa hora todos nós erramos), tinha uma pressão enorme para tirar o Gabriel da escola a diretora não me apoiou, a orientadora sim queria dar um jeito.
Comecei a procurar outras escolas e as que me agradavam não tinham vagas, cheguei a fazer matricula em uma, mas minha filha já estava lá há tanto tempo, não queria enxergar que ele tinha algum problema, ele tinha notas ótimas e na minha cabeça culpei a professora.

Encarei a diretora e falei “ele vai ficar”, bom imagina só a cara dela.

A orientadora o colocou numa classe menor, com uma professora muito amorosa e uma auxiliar que ficava quase o tempo todo com ele.
No início do ano ele deslanchou e com poucas dificuldades.
Chegou agora ao “sexto ano”, outro “BOOM”.

Mais um ano que se exige do aluno responsabilidades e ele respondeu de novo com indisciplina, irresponsabilidade e agressão.
No final do semestre já estava insustentável, correndo o risco de perder o ano letivo.

A escola por sua vez foi muito atenciosa e me auxiliou dizendo que eu precisava procurar ajuda. Ainda não tinha decidido o que fazer a respeito da escola, foi quando as aulas voltaram e minha pressão sobre ele aumentou.

Ai aconteceu o pior: Ele depois de relutar em fazer lição de casa num impulso tentou se jogar da janela ( do prédio que moramos), nesse dia eu estava na faculdade e quem estava com ele era a minha filha, ela ficou apavorada, quando cheguei em casa ela estava agarrada à ele chorando e ele ofendendo ela de todo o jeito...
Precisou chegar a esse ponto para eu enxergar que tudo estava errado..

E estou aqui, fui à psiquiatra, psicólogos, fiz os testes e agora está diagnosticado, o TDAH, Transtorno de Déficit de Atenção com Hiperatividade,

Não sei o que fazer, nem sei bem o que estou sentindo.....

Como posso não sentir culpa se ele já tinha me dado tantos sinais..será que o que causou isso foi a gravidez?

Não sei como falar para as pessoas por exemplo para o meu pai, porque ele é racional e não entende essas coisas, para a irmã dele, que também não consegue entender a situação e está com raiva de tudo isso.
Para a maioria das pessoas nem penso em dizer, porque tenho medo que as pessoas o recriminem dizendo que é doente.
E todas aquelas vezes que fui dura e cruel achando que ele era preguiçoso e desatento e eu exigi , briguei, gritei, sem saber que ele não conseguia entender e executar essa tarefas?

Estou acuada com medo dele ter alguma atitude impulsiva de novo. Ligo para ele o dia todo para ver se ele esta bem.
Já nem durmo mais tranqüila pensando no que pode acontecer, no outro dia ele foi dormir na sala, quando acordei fui na cama dele para dar bom dia ele não estava lá meu coração disparou..

São momentos muito tensos e acredito que logo,logo ele estará bem.

Embora não possa deixar de trabalhar mudei minha vida por causa dele e agora vi que por mais que você tenha que educar é totalmente essencial pra vida dos filhos que eles passem por momentos felizes junto com os pais.
Não deixe de brincar com seu filho, de jantar com ele, de contar histórias porque por mais que sejamos todos muito ocupados, eles merecem e precisam disso, para ter segurança, amor, lembranças...

Compartilhem seus sentimentos com seus filhos, não deixe a infância deles passar só com os melhores brinquedos e melhores escola, isso passa, ele se lembrar de você o ensinando a andar de bicicleta ela vai durar para vida inteira.

Olho para ele quando esta dormindo e penso quanto mal eu fiz para ele sem perceber...

Ele é doce, feliz , amável......mas parece que só eu conheço esse Gabriel, vou fazer de tudo para conseguir que ele melhore e que todos tenham a sorte de conhecê-lo pois ele é especial......

Queria trocar informações com mães que também passam por isso.
 Estou lendo muito a respeito, mas quem passa por isso sabe muito melhor o que dizer.

De qualquer forma de atenção aos sinais se um dia aparecer na sua casa, não tenha medo de procurar ajuda, mas se informe bem sobre a conduta e capacidade dos médicos e psicólogos, pois é seu filho, seu maior tesouro que está em jogo.
Existem bons profissionais, embora poucos, que levam esse assunto à sério.. e quanto antes identificar e procurar ajuda mais você vai estar ajudando seu filho e poupando ele de tanto sofrimento..

As Escolas também deveriam estar mais preparadas e ser parceiras dos pais nesse diagnóstico.

Essa é minha história.....deve ter milhares de pessoas passando por coisas parecidas, hoje não sei muito o que fazer, mas daqui para frente aprendendo com isso e com as pessoas que puderem compartilhar as experiências, estarei aqui para ajudar outras mães e pai que passarem por isso.Espero que eu consiga minhas respostas, consiga me livrar dessa culpa e possa ajudar outras pessoas.

Obrigado à todos."


Quero agradecer a coragem dessa mãe em tornar público seus sentimentos e não divulgaremos os nomes reais em respeito à criança.

Desejamos que o “Gabriel” tenha sucesso no seu tratamento e quero dizer, por conhecer ele pessoalmente, tratar de uma criança especial, amorosa, inteligente e extremamente preocupada com o próximo, conte comígo e com todos que te amam, e sabemos que com certeza ele será um adulto brilhante!

Boa sorte e felicidade para a vida dessa família, Adri.


“Se você tem uma história para compartilhar conosco, ela poderá ser útil para outras famílias. Ou se tiver algum recado para essa mãe por favor nos envie um e-mail.

Enviar para o e-mail: criancasdasestrelas@hotmail.com




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