quinta-feira, 10 de novembro de 2011

Mitos relacionados ao preconceito linguístico, por Marcela L.


MITOS

" 1- “A língua portuguesa falada no Brasil apresenta uma unidade surpreendente.”

Esse mito é o mais sério de todos, pois faz o povo acreditar que existe unidade linguística.
Embora a língua falada e adotada como idioma oficial pela nação brasileira seja a Língua Portuguesa, ela apresenta um alto grau de diversidade e de variabilidade devido à grande dimensão territorial
 e à grande injustiça social. A língua é viva e o seu povo é que a faz e a transforma.
Uma homogeneidade, diante dessas circunstâncias, não pode ser garantida.

2- “Brasileiro não sabe português. Só em Portugal se fala bem português.”

Assim como uma raça não é pura, não podemos falar em uma língua pura.
O brasileiro fala bem o português, o que ocorre é que ele fala um português diferente do falado em Portugal. Existe o mito de que somente sabe falar a Língua Portuguesa quem segue a gramática normativa; todavia, é bom lembrar que existe uma gramática internalizada.
Mesmo sem seguir as regras da gramática, as pessoas seguem uma “lógica linguística”.
Por exemplo, as pessoas falam “Os pássaros voam alto” e não “Pássaros alto os voam”.
Até os bebês constroem estruturas sintáticas quando começam a falar, por exemplo, “Quéio aua” é o que eles dizem quando querem água.

3- “Português é muito difícil.”

Se essa afirmação fosse verdadeira, seríamos o povo mais inteligente do mundo, pois aprendemos a falar a Língua Portuguesa com menos de dois anos e, até os quatro anos, falamos tudo.

Claro que a Língua Portuguesa não é difícil! É a nossa língua materna. O que ocorre é que a ênfase dada à gramática normativa é tão grande que achamos que só sabe falar e escrever quem conhece a norma culta. Temos de lembrar sempre que o papel da língua é o de comunicar e que existem várias formas de se fazer isso.

4- “As pessoas sem instrução falam tudo errado.”

Na verdade, as pessoas sem instrução não falam errado. Elas só não usam a gramática da norma culta.

5- “O lugar onde se fala português melhor é em Xiririca.”

Os paulistanos acham que São Paulo é o lugar em que o português falado é o mais correto; os cariocas entendem que este português correto só é falado no Rio de Janeiro. A verdade é que, se formos estabelecer como referência a língua como um fenômeno cultuado por um povo, portanto, com vida, não há um lugar específico que use a Língua Portuguesa de forma mais correta ou menos correta. Mesmo se fôssemos pensar em relação à gramática da norma culta, não encontraríamos uma cidade que utilizasse a língua totalmente de acordo com a gramática normativa.

6- “O certo é falar assim, porque se escreve assim.”

Esse mito cai por terra quando lembramos o fato de que a língua é dividida em falada e escrita. Como a fala é diferente da escrita, nem sempre o que se escreve é pronunciado da mesma forma que está escrito. A escrita é a tentativa de imitar a fala.

7- “É preciso saber gramática para falar e escrever bem.”

Quem nasceu primeiro, a língua ou a gramática? Com certeza, a língua, pois a gramática veio para fixar padrões e regras das manifestações de uso da língua da classe de escritores de uma época.

Temos muitos grandes escritores que não conhecem as regras gramaticais, um exemplo é
Machado de Assis.

8- “O domínio da norma culta é um instrumento de ascensão social.”

Claro que conhecer mais variantes linguísticas pode dar ao usuário da língua a possibilidade de se comunicar com mais habilidade e em contextos variados; todavia, este não pode ser um pressuposto, visto que há diversas pessoas sem instrução alguma que tiveram ascensão social.


Marcela L."

Entendendo os mitos com nossa colaboradora Marcela, mas não vamos esquecer o "Aurélio" no alto da estante.
Vale utilizar nosso português escrito ou falado corretamente, sem preciosismos, mas sem assassinar nossa adorada língua!
 
Para quem quiser consultar as regras do Novo Acordo Ortográfico de 1990 em vigor apartir de 2009, acesse esse link:
 
 
 
 
Créditos da Foto