quinta-feira, 18 de outubro de 2012

Filhos melhores para o mundo - um texto sobre Bullying.


Texto publicado no Jornal Em Sintonia

Filhos melhores para o mundo.
Por Dra. Chiclete

Numa manhã ensolarada estávamos organizando as palhaçadas e brincadeiras quando uma menina não se animou em brincar de "passa anel" com as outras meninas. Detalhe - ela não tem os dedos das duas mãos...

Logo uma criança menor não hesitou em falar: - Ela não pode brincar!

Agora sim, havia muita tristeza nos olhos da menina. Tristeza por ser diferente, pela limitação física e por tudo mais.

Bem, como palhaço e tristeza definitivamente não combinam. Nós palhaços nessas horas temos que ser mágicos e malabaristas para driblarmos momentos como este.

Formamos uma animada roda de crianças e palhaços e começamos a brincadeira de “telefone sem fio”.

Ufa, todos agora estavam brincando e gargalhando com as frases inusitadas da minha trupe.

E sabe aquela menina triste? Foi ela quem foi convidada a começar a brincadeira. Sentiu-se tão importante, capaz e seu olhar triste foi substituído por um brilho e ainda exibia o tão almejado sorriso nos lábios!

E a tal palavra difícil bullying anda por aí tumultuando as escolas, lares e corações de pais e crianças aflitas.

O significado é conhecido, pois o termo é novo, mas o ato é pra lá de velho.

O que precisa ser reformulado também é com lidar com ele. Porque agora tudo é bullying, qualquer desavença, briguinha infantil vira um alvoroço.

Não vou falar do dano desastroso que o verdadeiro bullying causa à vítima, mas vamos falar de como evitá-lo em primeiro lugar.

A educação começa desde os primeiros meses de vida, por isso não tenha pena de ensinar desde bebê que mordida dói, depois que não se ofende, não se machuca ninguém. Mas, fundamental é reforçar que todos nós somos diferentes, isso não nos faz menores ou piores, mas sim ÚNICOS E MARAVILHOSOS!

Se ainda assim a criança ultrapassar o limite do aceitável (conflitos usuais fazem parte do crescimento) e praticar o Bullying contra alguém vale aplicar a melhor correção de todas – Fazer o ofensor se colocar no lugar da vítima e ainda prestar algum serviço comunitário, seja na escola, ou onde ficar mais claro o exemplo de reconstrução. E que isso tenha uma mensagem clara relacionada com o ocorrido para contribuir na formação do caráter desse “pequeno” agressor.

Cabe também aos pais não exagerarem ao atribuir a qualquer desavença a palavra Bullying, pois não poderemos impedir que nossos filhos possam crescer e amadurecer com as próprias experiências da vida.

Antes de desejarmos um mundo melhor para os nossos filhos, vamos cuidar para deixarmos filhos melhores para o nosso mundo!

Adriana Perazelli






Créditos da Foto